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Por que correr na esteira?

Correr na esteira é um assunto polêmico que divide opiniões: uns amam, outros não suportam. Os críticos da corrida na esteira alegam não ser um trabalho específico , ou seja, não condiz com a realidade que os corredores encontrarão nas ruas, como mais impacto, mudanças de terreno e direção, por exemplo.

Além disso muitos acham monótono correr sem sair do lugar, o que acaba afetando o desempenho, obviamente. No entanto, a esteira é uma excelente ferramenta para quem pensa em evoluir na corrida, se usada de forma adequada. Correr na esteira oferece menor impacto e menor tensão dos isquiotibiais principalmente pelo fato de que o movimento em cima de uma superfície rolante permite uma cadência de passadas mais rápida , menor impacto e menor ângulo de flexão dos joelhos. Esse já seria um ótimo motivo para incluí-la na rotina .

Por outro lado, o tendão de aquiles e a panturrilha realmente são mais sobrecarregados, por isso os incrementos de velocidade devem ser feitos com bastante cautela, de forma progressiva e individual, bem como a utilização de inclinação ( essas devem ser intercaladas com recuperação adequada no plano) .

Apesar dos riscos expostos acima ela é excelente ferramenta para treinar o corredor a adotar uma cadência de corrida adequada ( passos mais curtos) e melhorar a postura e técnica : sem fatores externos você pode se concentrar melhor no movimento. Outro ponto importante é que ela permite maior economia de movimento: por oferecer menos impacto , um ambiente controlado e uma superfície rolante, o corredor pode atingir velocidades maiores que na rua com menor esforço cardíaco, resultando a médio e longo prazo num aumento do desempenho outdoor.

Para vencer a monotonia com efetividade, é possível criar protocolos para diferentes objetivos , variando velocidade / inclinação e manipulando esforço /recuperação de forma mais controlada que na rua. Podemos elaborar treinos de velocidade, força, explosão, resistência e de transição (bricks). Além disso é uma ótima opção no inverno ou quando está chovendo , evitando que treinos sejam perdidos ou uma queda na imunidade . Estudos recentes no entanto mostram que grandes volumes na esteira pode aumentar o risco de tendinopatias ou periostite, principalmente na região da tíbia e tornozelo, devido à flexão /extensão mais acentuada do tornozelo .

Não estamos aqui dizendo que os treinos na rua devem ser substituídos pela esteira, e sim complementados . Após uma temporada com treinos bem elaborados na esteira, você pode se surpreender com a o ganho de performance na rua ! Experimente !

 

Thelma D’Amélio

Coach NavasTri