Apesar de toda a evolução na compreensão e real entendimento do importante papel que o treino de musculação oferece para corredores. Ainda há no meio dos corredores mitos bastante enraizados de como desenvolver um trabalho de musculação para corredores.

Esse artigo foi publicado inicialmente na Triathlete Europe

Como toda informação errada de longa data, esses mitos são criados com base em informações desatualizada, ou seja, o que foi testado ou estudado nos anos 80 não necessariamente é aplicável nos dias atuais. Infelizmente hoje, a informação difundida com tanta rapidez também ajuda a disseminar informações erradas e mitos criados algumas décadas atrás.

Felizmente nesse breve artigo, iremos desconstruir os maiores mitos relacionados a musculação para corredores

Mito #1 – Manter um intervalo baixo entre as séries de musculação

Quando corredores estão na academia malhando, a maioria tenta replicar a sensação que sentem na pista de corrida. O que significa manter um batimento cardíaco elevado e suar bastante ao contrário a sensação é de que esse treino de musculação não esta fazendo efeito!

Isso significa que a maioria estabelece um intervalo entre as séries muito rápido de cerca de 30 a 60 segundos, infelizmente esse intervalo tão baixo é maléfico para o treino de força, justamente devido o trabalho muscular ser mais efetivo justamente no batimento cardíaco de recuperação, ou seja, baixo.

Ao contrário da corrida, que depende do sistema aeróbio para consumo de energia, a construção de uma musculatura adequada depende primariamente do que chamamos de trifosfato de adenosina (ATP). O ATP é responsável por fornecer energia para movimentos rápidos e vigorosos, justamente o que precisamos para construir nossa musculatura! E o ATP requer pelo menos de 2 a 3 minutos para recuperar-se e estar pronto para um novo estimulo, portanto se você aplica intervalos menores que esse, consequentemente você não estará totalmente recuperado para utilizar suas fibras musculares adequadamente e consequentemente o trabalho de força será inócuo!

Isso pode soar estranho para você corredor, mas se quer construir uma base muscular sólida, faça um intervalo entre as séries de pelo menos 2 minutos.

Mito #2 – Treinar com muita repetição constrói músculos adequados para longas distâncias.

Esse é outro mito bastante difundido de que quanto mais repetições e menos peso, estará no caminho certo para construir musculatura que é utilizada para longas distâncias! A crença é de que assim como o treino “longão” constrói a base para longas distâncias o número alto de repetições terá o mesmo efeito, certo?

Errado, infelizmente o grande numero de repetições com baixo peso não construirá musculatura para longas distâncias.

Primeiro, estudos recentes mostram que repetições de 12 a 20 não incrementam a musculatura para longas distâncias mais do que repetições de 6 a 8. Segundo, você já esta trabalhando na sua musculatura para resistência quando vai fazer seu “longão”. Portanto o propósito do treino de musculação é criar músculo, portanto executar treinos e séries que tragam esse benefício é o objetivo principal.

Dessa forma, ao invés de levantar pouco peso e fazer muitas repetições, você deve levantar o peso máximo que conseguir, obviamente com segurança e supervisão, por séries de 6 a 10 repetições. Essas séries de 6 a 10 repetições permite uma sobrecarga bastante otimizada do músculo, pois requer um grande número de fibras musculares, consequentemente levando ao aumento de força.

Portanto, da próxima vez que for a academia fazer musculação, faça musculação da forma correta, ou seja, ao invés de pouco peso e muitas repetições, aumente a carga e faça um número de repetições intermediária! Isso sim o levará a construir uma musculatura.

Mito #3 – Muito peso significa ficar grande, pouco peso significa ficar definido.

Quando orientamos corredores que serão mais bem-sucedidos caso peguem mais pesado na musculação a reação mais comum é: “Não que me transformar no Rock Balboa e sim com o famoso corredor e medalhista olímpico, Mo Farah”. Esse medo ocorre devido a associação pura e simples de incremento de peso significa aumento considerável de massa.

Aumento de massa muscular não é unicamente associada a incremento de peso apenas. Na verdade aumento de peso é um dos menores responsáveis em relação a aumento de massa. Quem tem papel chave para o aumento de massa na verdade é a parte nutricional, mais precisamente o incremento de ingestão calórica. Seria a mesma coisa que falar que apenas altas quilometragens rodadas são sozinhas as responsáveis por perda de peso, esquecendo que na verdade o controle de ingestão calórica é quem tem papel mais importante da perda de peso.

Além disso o tempo dispendido nas corridas em si é infinitamente maior que o tempo que será despendido no treino de musculação por qualquer corredor, portanto será quase impossível se tornar um “Rock Balboa”!

Como exemplo, um estudo encabeçado por pesquisadores da Universidade do Alabama, mostraram que atletas em um regime alimentar supervisionado e com treinos de musculação perderam a mesma quantidade de peso que atletas sob um regime único de treinos aeróbicos. A diferença é que os atletas que estavam sob regime de treinos unicamente aeróbicos perderam maior percentual de massa magra do que os atletas que tinham treinos de musculação em sua rotina.

Portanto, considere como esses três mitos tem afetado sua rotina de treinos de musculação. As informações aqui contidas tem a pretensão de auxiliar na desconstrução desses mitos e aprimorar o treino de musculação de cada um.